Domingo, 1 de Março de 2009

O dom

Existe em cada um nós um dom difícil de encontrar, pelos constantes desvios da vida.

Esse dito “dom” é algo que conseguimos fazer sem saber explicar por que o conseguimos.

Sortudo aquele que o descobre e o aplica.

 

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publicado por JGaspar às 22:31

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O voar dos 15 anos

Quando era jovem conseguia voar sem asas, claro que só em sonho, mas a forma como o fazia era algo de extraordinário, passava por cima de casas, oliveiras, estradas, mas nunca avistava pessoas pelo caminho.

Hoje consigo compreender essa total liberdade, mas já não consigo voar e entendo que tudo tem a ver com a idade.

Quando somos jovens temos a inocência das coisas da vida e só a pouco e pouco vamos assumindo responsabilidades que nos tiram a leveza de voar.

 

publicado por JGaspar às 22:25

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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Carnaval 2009 em Santarém

 

Tema: Justiça em Portugal

Mensagem: Criminosos na rua, honestos a ver a lua...

 

 

1º Carro alegórico

Prisão e tribunal em Portugal.

 

 

 

2º Carro alegórico

Carro de exterior em reportagem

Entrevista com Dr. Moita "Festas" e Manuela "Bocas" Guedes.

A criminalidade em Portugal

 

 

 

O justo e merecido 3º lugar no carnaval em Santarém, com um ideia, um tema, uma mensagem e uma grande equipa de trabalho.

 

 

PARABÉNS A VALE DE FIGUEIRA.

sinto-me: Contente.
publicado por JGaspar às 23:57

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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Homenagem ao Campino "Zé Colorau"

   José de Abreu Júnior

 

Nasceu em Vale de Figueira no dia 24 de Maio de 1925.
Filho de José Abreu, pastor de ovelhas, e de Carolina Gualdina, camponesa.
Conheceu a esposa, Matilde Maria, na Quinta do Castilho e tiveram uma filha, Maria Carolina Abreu Rodrigues, que sempre que podia, acompanhava o pai na lida de toiros e cavalos.
 
O mais antigo campino de Vale de Figueira, mais conhecido por “Zé Colorau”, dedicou toda a sua vida à profissão de campino, que nem sempre foi fácil pela dureza do trabalho e das condições que a lezíria impunha. Amigo do seu amigo, sempre foi admirado e respeitado pelo seu carácter de homem simples, respeitador, simpático e de grande sabedoria tradicional de uma arte bastante antiga.
Em tempos de festa, como a Feira Nacional do Ribatejo, do Colete Encarnado e outras, “Zé Colorau” estava presente com alegria e espírito de camaradagem, que caracteriza os campinos. Altivo sobre o seu cavalo, com o pampilho na mão, vestido a rigor, de jaqueta e calção escuros, barrete verde, colete encarnado, meias brancas rendilhadas, sapatos castanhos com as respectivas esporas e ao peito, uma simples chapa metálica que exibe com orgulho o ferro da Casa Agrícola a quem dedica o amor do seu trabalho.
 
Trabalhou dos 13 aos 81 anos sempre na casa Infante da Câmara. Esteve 3 anos na Quinta de Alpompé, Casa Dr. Emílio Infante da Câmara, como cocheiro e depois foi para a Quinta do Castilho, Casa José Infante da Câmara, até se reformar como Maioral Real. Desde cedo começou a gostar de toiros, começando por tratar de cavalos, no desbastar, no controlo da procriação e da escrita da filiação, mais tarde começou a lidar com os toiros de lide, desde a selecção de bravura como no acompanhamento nas corridas de toiros entre Portugal, França e Espanha.
 
Em Julho de 2007, “Zé Colorau” aos 82 anos, foi homenageado pela Câmara Municipal de Santarém na Praça de Toiros em Santarém como figura do Ribatejo e do meio taurino.
 
Actualmente encontra-se no Centro de Dia de Vale de Figueira, na companhia de sua esposa, criando o mesmo ambiente de camaradagem com os restantes utentes e funcionárias.

 

publicado por JGaspar às 23:21

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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Aldeia da Barreira da Bica

 

 
Recordações de infância de uma aldeia Avieira
 Pesca na Foz do Rio Alviela - 1973
A aldeia de pescadores da foz do rio Alviela encontra-se a cerca de dois quilómetros de Vale de Figueira, no concelho de Santarém, local onde se estabeleceu durante várias décadas uma colónia de pescadores, oriundos de Vieira de Leiria e que se vieram espalhando ao longo do curso do rio Tejo.
Algumas destas famílias fixaram-se na foz do rio Alviela, lugar de grande riqueza paisagística, de abundância piscícola e de excelentes condições para construírem as suas casas típicas de tipo palafita, a que davam, como dão, o nome de barracas. Ao local chamaram Barreira da Bica, pelo facto de existir – como hoje ainda existe - uma fonte de água pura vinda da encosta.
 
O seu modo de vida - como a construção da casa, do barco e da lide da pesca – era um conjunto de artes herdadas de geração em geração. As suas leis, as mezinhas e orações eram feitas pela necessidade de resolverem os problemas que o isolamento lhes colocava. Conviviam em pleno respeito e obediência pelos mais velhos da comunidade.
O agregado familiar era por norma muito alargado, com uma média entre os cinco e os sete filhos por casal, chegando a registar-se uma família com doze filhos.
Aldeia da Barreira da Bica
A aldeia chegou a ser constituída por 28 barracas, incluindo a própria habitação, a cozinha de “fora”, adega, o forno comunitário (ainda existente) e os galinheiros que apenas guardavam os coelhos, visto que as galinhas viviam em plena liberdade. Chegavam a criar porcos e bezerros que muitas das vezes serviam para vender, para assim fazerem algum dinheiro para comprarem as coisas básicas.
Tudo era conseguido com muito trabalho e partilha de tarefas pelo casal, na pesca, que geralmente era feita à noite - a mulher remava e o homem “deitava” as redes à água e mais tarde “levantavam” para colher o que o rio dava. Muito ou pouco, a mulher ia vender para os mercados, ou mesmo porta a porta, na esperança de vender por bom preço. Claro que o trabalho na pesca e a longa caminhada que a mulher fazia para a venda, quase sempre descalça, não eram compensados pelo que o cliente lhes pagava.
Com o passar do tempo e as dificuldades na sua arte a aumentarem, foram-se empregando noutras áreas e as suas vidas foram-se alterando. Por estes e outros factores, como a poluição do rio Alviela, foi-se dando o abandono até à desertificação total. A aldeia foi morrendo, sem gente, com as casas abandonadas, e com os barcos e apetrechos ao “Deus dará”!
Lembro-me que, quando era pequeno, levado pela mão do meu pai, corria pelas ruas estreitas entre as barracas da aldeia em brincadeira com o meu irmão gémeo e a nós se juntavam as muitas crianças da Barreira da Bica. Para elas o trabalho, apesar da idade, ocupava-lhes muito tempo, sendo uma necessidade para a sobrevivência das suas famílias, pouco lhes restando para brincar.
Sentia uma enorme liberdade com essas brincadeiras, como as águas que percorrem o rio, uma felicidade difícil de explicar para quem com eles não conviveu, e uma paz de espírito de que hoje sinto necessidade.
Família Avieira e amigos
Um dos pontos altos do dia era a hora do almoço, na mesa em madeira pregada em estacas, com comprimento suficiente para acolher muita gente alegre, que crescia tanto em satisfação como decrescia o néctar no garrafão. A ementa era sempre a mesma: o peixe saboroso do rio, a salada de tomate das hortas, sempre regado com bom azeite e salpicada com um pouco de sal que fazia puxar para a “pinga”. No final do repasto as mulheres lavavam a loiça e os homens contavam anedotas, com risos por vezes algo descontrolados, acabando alguns por “passar pelas brasas” com a cabeça em cima da mesa, quase como num gesto de agradecimento pela refeição.
Num dia de um belo repasto, regado pelo bom vinho, um amigo pescador lembrou-se de perguntar ao meu pai qual era a sua patente militar e logo lhe dirige a palavra: “Ó xenhor Zé, há tanto tempo que lido conxigo e não xei qual é a sua graduação (militar)… Qal é a sua graduação?”. Ao que o meu pai, já bem bebido, lhe responde: “Ó rapaz, por esta altura deve estar nos 14 graus!”. Foi uma risada geral.
Depois da digestão, vinha a tão esperada viagem de barco até às praias do Tejo, onde o areal extenso com apenas um pequeno mouchão de salgueiros nos ia proteger do sol quente e deixar estender a manta ribatejana que suportava um lanche recheado de coisas boas, com a presença do “amigo” garrafão. Tardes intensas, em que o tempo corria lentamente dando espaço para chapinhar na água do Tejo até ficar com a pele enrugada de tanto aproveitar.
Lance de rede
O meu pai e os amigos pescadores faziam sempre um lance com as redes que vinham recheadas de fataças que iriam ser a ementa do nosso jantar. Já na aldeia, com todos presentes, o convívio prolongava-se pela noite fora, manifestando-se já sinais claros de cansaço nas crianças que, encostadas aos mais velhos, adormeciam ao som de um fado cantado pelos pescadores e, algumas vezes, de um bailarico animado pela flauta de um velho tocador.
A vida destes pescadores era alegre mesmo com a dureza do trabalho. Apesar das condições de vida, não deixavam de mostrar o seu verdadeiro carácter: homens de fé, de alegria, trabalhadores e possuidores de uma grande amizade pelo próximo, com grande destaque para o respeito e para a protecção da sua própria família. 
Actualmente, na Barreira da Bica, apenas resta uma ou duas barracas em mau estado de conservação, imperando o mato e as silvas onde outrora existiu uma aldeia cheia de VIDA…
 
 
José Vicente Calado Gaspar
Vale de Figueira, 30 de Agosto de 2008
 
 
 

 

 

 

 
sinto-me: com muita pinga...
publicado por JGaspar às 11:53

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Domingo, 14 de Setembro de 2008

Hospitalizado

 

 
Hospitalizado
 
 
Pela primeira vez fui hospitalizado depois de 44 anos de vida, possivelmente até tenho que agradecer por ter sido “chamado” tão tarde, mas o certo é que entrei no dia 6 pelas 21 horas com um desconforto e mau estar vindo da barriga, pensando eu que tudo tinha origem numa recente intoxicação alimentar. Para surpresa minha, a “coisa” era um pouco mais grave de resolver. Estive 24 horas deitadas numa maca, que mais parecia um elemento de um carrossel pela sua constante movimentação. Finalmente, depois de descobrirem o meu “mal”, tive a possibilidade de estabilizar na cama 36 do piso 4. Então, sim, pude dormir uma noite tranquilo, mas, mais uma surpresa estava reservada para mim. Fui convidado a mudar de quarto, por uma funcionária do hospital, que ao puxar pela minha cama, frisou “olha esta é a cama mais pesada” e, de seguida, me anunciou que o quarto iria ser para mulheres. De facto, eu estava a mais. Sendo assim, lá fui parar à cama 34 do quarto ao lado, junto à janela com vista panorâmica. Com estas mudanças, acabei por ganhar dois colegas de quatro: o Sr. Baptista, possivelmente com idade entre os 80, de estrutura média e cheio de “genica”, mostrava bem uma irritabilidade de estar já há tempo de mais no hospital, que acabou por ser satisfeito, e foi para casa no dia seguinte à minha entrada; mais próximo de mim, o Sr. Marcelino, cujo nome a enfermeira elogiava por ser bonito, homem de estrutura alta e de 74 anos de idade, não me deixou praticamente dormir na primeira noite pelo seu roncar, que mais parecia um “tractor” sem lubrificação, a pouco e pouco fui conhecendo este homem de mais ou menos 1,80m, que se bufava frequentemente enquanto dormia, talvez por já não ter qualquer controlo.
Apenas tivemos uma conversa sobre a sua actividade, onde morava e a família e logo percebi que apesar da sua estrutura, que muitas das vezes associamos a pessoas rudes e de mau feitio, Marcelino era tudo menos rude e de mau feitio e que, apesar da sua dor constante nas costas, mostrava ser meigo, delicado nas palavras e muito sofredor pelo trabalho do campo.
Na segunda noite neste quarto e quarta no hospital, verifiquei que o Marcelino não adormecia e em vez do roncar insuportável, apenas ouvia muito timidamente um gemido que mais parecia de uma criança, mas de facto era o Marcelino, que tentava suportar a dor apenas para si sem querer incomodar-me. Chamei pelo seu nome e ofereci-me para ajudá-lo e acabou por agradecer e dizer que aquela dor nas costas cada vez era mais forte, acabei por chamar o enfermeiro que ao entrar no quarto pediu ao Sr. Marcelino para classificar a dor de 1 a 10 e obteve como resposta, entre o 6 e o 7 e, de seguida, o enfermeiro tendo uma ideia da dose do medicamento pela medida improvisada, colocou mais um saquinho para as dores através do soro.
A alvorada no hospital era sempre às 6h30, com o agitar dos utensílios e carrinhos dos enfermeiros, que me faziam lembrar os tempos de tropa, só que desta vez não dava muito jeito perfilarmo-nos na parada, apenas ficávamos imóveis na cama a pensar que o dia seria de melhoras e que com alguma sorte iríamos para casa, claro que isso não calhava a todos e muitos continuavam com as mesmas dores como era o caso do Marcelino.
Com o seu ar meigo e com algum esforço, foi sentar-se no cadeirão junto à janela e ali ficou de cabeça baixa durante alguns minutos até o interromper com a pergunta do costume: “sente-se melhor hoje senhor Marcelino?”. Levantou a cabeça, compôs os óculos e disse: “ Esta malvada dor não me larga, só gostava de ter coragem para acabar com a vida…”, e assim ficámos a ver o tempo a passar num sítio onde a expressão “Bom dia” não existe.
 
 
sinto-me: triste...
publicado por JGaspar às 23:23

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